O Motorhome No Tratamento da Doença Cognitiva de Milton Nascimento Que Surpreendeu o Filho do Músico e a Todos

A estrada, o ar livre e a mente. Como o motorhome virou remédio para Milton Nascimento. Milton Nascimento, um dos maiores ícones da música brasileira, de 82 anos, recebeu recentemente o diagnóstico de demência por corpos de Lewy (DCL), uma doença neurodegenerativa que mistura sintomas de Alzheimer e Parkinson. Diante desse diagnóstico, sua família tomou uma decisão pouco convencional (Para muitos, não para nós) mas carregada de propósito: fazer uma viagem de motor home pelos Estados Unidos — para, mais do que turismo, buscar uma experiência de conexão, observação, normalidade. Foi uma jornada de 16 dias, cerca de 4.000 km rodados, por estados como Arizona, Utah, Wyoming, Montana e Idaho. Esta foi a pauta de uma linda reportagem da Revista Piauí.

O que é demência por corpos de Lewy e seus desafios: A DCL é caracterizada pelo acúmulo da proteína alfa-sinucleína em neurônios, formando os chamados “corpos de Lewy”. Ela provoca sintomas variados, como cognitivos: lapsos de memória, confusão, alterações de atenção, repetição de histórias; Motores: rigidez, tremores ou outros sintomas parecidos com Parkinson; Perceptivos/psicológicos: alucinações visuais, variações no estado de alerta, delírios ou ilusões, podem haver distúrbios do sono. Um dos complicadores da DCL é que ela pode ser confundida com Parkinson ou Alzheimer no início, o que dificulta diagnóstico rápido.

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Motor home: mais que transporte — uma estratégia de cuidado: A viagem feita de motorhome com Milton cumpre vários papéis que ajudam, direta ou indiretamente, em um quadro como esse. Alguns aspectos que se destacam: Ritmo próprio, autonomia e controle: Ao viajar de motorhome, Milton pôde seguir um ritmo menos imposto, mais flexível: paradas quando desejava, lugares escolhidos por ele (ou ao menos com participação dele), horários adaptados. Isso dá sensação de autonomia que pessoas com declínio cognitivo tendem a perder; Estar no papel de “copiloto”, como Augusto Nascimento relata, permite que Milton participe das decisões da viagem (trilha sonora, caminhos, paradas) — o que reforça autoestima, sensação de utilidade.

Estímulos variados e ambientais: A natureza, as paisagens, parques nacionais e rotas com visuais ricos são estímulos sensoriais que fogem da rotina — ar fresco, céu aberto, paisagens grandiosas, sons novos, cheiros diferentes. Esses estímulos ajudam a quebrar a monotonia, que pode agravar sintomas cognitivos (confusão, desorientação). Música viaja junto: Milton escolhia a trilha sonora da estrada, ouviu Beatles, discos preferidos. A música é uma antessala do bem-estar emocional, ativando memórias, emoções, conectando passado e presente; Vínculo afetivo e suporte emocional: A companhia do filho — Augusto — foi fundamental. Ele percebeu os sintomas, tomou iniciativa de investigação médica, organizou a viagem. O cuidado familiar, a atenção aos detalhes, a proximidade são pilares importantes para quem vive com doenças neurodegenerativas. Essa viagem permitiu vivenciar experiências compartilhadas — observações, momentos de contemplação, conversa, risos — que reforçam laços e proporcionam alegria, lembrança de que ainda há vida com sentido, com experiência de valor;

Observação e diagnóstico: A viagem funcionou também como um “termômetro”: observar comportamentos em ambientes diferentes, ver como Milton respondia ao deslocamento, à rotina diferente, às escolhas, ajuda no diagnóstico: lapsos mais visíveis, olhar fixo, repetição de relatos. Foi durante esse processo que os sinais mais claros vieram à tona.

Motor home como instrumento de humanidade: A viagem de motorhome não substitui o tratamento médico — consultas, medicamentos, terapias — mas atua como um importante instrumento de qualidade de vida: oferece autonomia, dignidade, momentos de alegria. No caso de Milton, foi decisiva também para confirmar o que se passava, para permitir que ele e sua família compreendessem melhor o quadro, e reagissem com mais clareza. Se há algo que essa estrada revela, é que até quando o corpo e a mente começam a fraquejar, ainda há espaço para caminhar, para ver, para escolher, para se emocionar. O motorhome foi, para Milton, uma casa sobre rodas que rodou também dentro dele.

A viagem de Milton Nascimento de motor home durou dezesseis dias e percorreu cerca de quatro mil quilômetros pelos Estados Unidos. O trajeto começou no Arizona e passou por estados como Utah, Wyoming, Montana e Idaho, explorando parques nacionais e paisagens naturais ao longo do caminho. Milton viajou acompanhado do filho Augusto, que alugou o motor home e organizou todo o roteiro. Eles seguiram em um ritmo tranquilo, fazendo paradas livres e aproveitando a estrada sem pressa. Milton não dirigiu, mas atuou como copiloto, escolhendo músicas, ajudando nas decisões e curtindo o percurso.

A jornada foi uma forma de lazer e conexão familiar, permitindo momentos de contemplação, música e convivência próxima. Além disso, serviu para que Augusto observasse com mais clareza os sinais da doença que começavam a aparecer, como lapsos de memória e repetição de histórias, o que posteriormente levou ao diagnóstico de demência por corpos de Lewy. A experiência trouxe bem-estar emocional a Milton e teve um papel importante nesse momento delicado de sua vida.

TOTAIS CRÉDITOS PARA: https://piaui.folha.uol.com.br/uma-viagem-de-motorhome-com-milton-nascimento/

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