Transformação do Gerador a Gasolina Para Gás de Cozinha

Um gerador convencional movido a gasolina passou por uma adaptação que permite seu funcionamento também com GLP, o gás de cozinha. A experiência foi realizada pelo canal Cena Caseira e mostra, na prática, desde a substituição do carburador original até os primeiros testes e, posteriormente, a medição do consumo do equipamento. A modificação utiliza um carburador híbrido, desenvolvido para permitir que o mesmo motor trabalhe com gasolina ou GLP. A proposta é oferecer uma alternativa de combustível para situações em que o gerador precise permanecer funcionando por períodos mais prolongados, principalmente durante interrupções no fornecimento de energia elétrica.

ATENÇÃO ÀS NORMAS E À SEGURANÇA: Embora o uso de GLP como combustível em motores estacionários não seja, por si só, objeto de uma proibição geral, a conversão de um gerador originalmente projetado para gasolina e sua conexão a um botijão de GLP envolvem normas técnicas, requisitos de segurança e, dependendo do local e da forma de utilização, legislação específica. Reguladores, mangueiras, conexões e demais componentes devem ser apropriados e atender aos requisitos aplicáveis, enquanto a instalação do sistema de gás deve observar as normas técnicas pertinentes e as exigências das autoridades locais. Também é importante destacar que existem restrições específicas relacionadas aos recipientes de GLP: em São Paulo, por exemplo, a legislação estadual estabelece que o botijão P13 é destinado à cocção de alimentos e ao uso exclusivamente doméstico. Portanto, a experiência apresentada nesta reportagem deve ser entendida como um teste realizado pelo autor do vídeo, e não como uma recomendação para que o procedimento seja reproduzido indiscriminadamente. Quem pretender fazer uma adaptação desse tipo deve verificar previamente a legislação aplicável à sua localidade e procurar profissional habilitado para avaliar a instalação e os componentes utilizados.

A SUBSTITUIÇÃO DO CARBURADOR: O primeiro passo foi retirar o carburador original do gerador. O novo componente possui construção semelhante ao original, mas conta com a entrada específica para o gás. O carburador híbrido mantém a possibilidade de utilização da gasolina e acrescenta o sistema de alimentação por GLP. Há comandos independentes para o combustível líquido e para o gás, permitindo selecionar qual deles será utilizado pelo motor. A instalação, segundo a experiência apresentada, é relativamente simples do ponto de vista mecânico. O novo carburador utiliza os mesmos pontos de fixação do componente original, embora alguns detalhes tenham exigido adaptações e ajustes durante a montagem.

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ALIMENTAÇÃO PELO BOTIJÃO: Para levar o GLP até o carburador foi utilizada uma mangueira própria para gás, conectada a um regulador de pressão. No teste apresentado, o regulador utilizado trabalha com pressão de 2,8 kPa e vazão de aproximadamente 1 kg de gás por hora. O conjunto foi conectado a um botijão convencional de GLP. O sistema permite que o gás seja liberado para o carburador quando essa modalidade de alimentação é selecionada. Um dos pontos interessantes da adaptação é justamente a possibilidade de manter a gasolina como alternativa. Caso o usuário queira voltar ao combustível líquido, basta selecionar a alimentação correspondente no carburador.

CUIDADOS NA INSTALAÇÃO: Durante a montagem, o autor chama atenção para um aspecto fundamental em qualquer adaptação envolvendo GLP: a verificação de possíveis vazamentos. Depois de conectar a mangueira e abrir o registro do botijão, foram utilizados pontos de inspeção com espuma de sabão para verificar se havia fuga de gás nas conexões. A orientação apresentada é realizar esse tipo de procedimento sempre em ambiente aberto e ventilado. O próprio autor ressalta que pessoas sem conhecimento ou segurança para executar esse tipo de serviço devem procurar um profissional qualificado.

PRIMEIRO FUNCIONAMENTO: Depois da instalação, o gerador foi colocado em funcionamento utilizando o GLP. Apesar de algumas incertezas iniciais quanto à regulagem e à posição dos comandos do carburador, o motor conseguiu funcionar com o novo sistema. A experiência também mostra que a adaptação pode exigir ajustes. O carburador adquirido não vinha acompanhado de um tutorial específico para aquele modelo de gerador, fazendo com que parte da instalação e da regulagem fosse descoberta durante o processo. O resultado, porém, confirmou a principal expectativa do projeto: o gerador passou efetivamente a funcionar com gás de cozinha.

DEPOIS DO TESTE, VEIO A MEDIÇÃO: Com o sistema funcionando, a etapa seguinte foi descobrir quanto GLP o motor realmente consumiria. Para isso, foi utilizado um botijão de 13 kg colocado sobre uma balança. O objetivo era acompanhar a perda de peso durante o funcionamento do gerador e determinar quanto gás era consumido em determinado período. Depois de aproximadamente 30 minutos de funcionamento, o peso do botijão havia diminuído cerca de 250 gramas. A partir desse resultado, o consumo estimado ficou em aproximadamente 500 gramas de GLP por hora.

AUTONOMIA DE CERCA DE 26 HORAS: Considerando o consumo medido, os cálculos indicaram uma autonomia teórica de aproximadamente 26 horas para um botijão de 13 kg. Isso significa que, mantendo a mesma condição de funcionamento observada no teste, o equipamento consumiria aproximadamente meio quilo de GLP por hora. É importante destacar que o teste foi realizado sem uma carga elétrica significativa conectada ao gerador. Portanto, a autonomia real pode variar conforme a potência exigida pelos equipamentos alimentados. Além disso, o tempo calculado não significa que o gerador possa necessariamente permanecer ligado durante 26 horas ininterruptas. O fabricante deve ser consultado quanto ao limite de funcionamento contínuo e aos períodos de descanso necessários ao motor.

E A GASOLINA? Para fazer a comparação, o autor utilizou como referência o tanque de gasolina do gerador, com capacidade de 15 litros. Segundo os dados apresentados no equipamento, essa quantidade proporciona aproximadamente 12 horas de funcionamento nas condições consideradas. Projetando esse consumo para 24 horas, seriam necessários cerca de 30 litros de gasolina. Na época do teste, realizado em agosto de 2023, a gasolina custava aproximadamente R$ 6 por litro na região do autor. Dessa forma, 24 horas de funcionamento representariam um gasto de aproximadamente R$ 180 em gasolina.

GLP MOSTRA VANTAGEM NO CUSTO: No teste com o gás, o autor considerou o preço de aproximadamente R$ 105 para um botijão de 13 kg. Com a autonomia calculada de 26 horas, o custo para 24 horas de funcionamento ficaria próximo de R$ 97, considerando uma simples proporção. Na comparação apresentada originalmente, foi utilizado o valor de R$ 105 como referência para 24 horas, chegando a uma diferença significativa em relação aos aproximadamente R$ 180 calculados para a gasolina. Independentemente da pequena diferença decorrente da forma de cálculo, o experimento apontou uma vantagem econômica do GLP nas condições testadas. APESAR DOS NÚMEROS ACIMA SEREM DA LEITURA DA EXPERIÊNCIA DO AUTOR, é importante dizer que modelos originais de geradores híbridos no mercado, costumam declarar potências diferentes em cada um dos combustíveis, sendo que no caso do gás, a potência em Watts é sempre menor. Não sabemos se por segurança ou por questões de potência mesmo. De qualquer forma o custo acaba sendo sempre mais viável para o gás.

NÃO É PARA SUBSTITUIR A REDE ELÉTRICA: Apesar da economia de combustível, o objetivo do projeto não é utilizar o gerador permanentemente para substituir a energia fornecida pela concessionária. O próprio autor faz essa ressalva. Mesmo com o GLP apresentando custo inferior ao da gasolina no teste, gerar eletricidade dessa maneira continua sendo muito mais caro do que utilizar normalmente a energia da rede. A função do equipamento seria principalmente emergencial: quando houver uma interrupção no fornecimento, o gerador poderá ser acionado para manter equipamentos essenciais funcionando.

A IDEIA DE PRODUZIR O PRÓPRIO COMBUSTÍVEL: A experiência com GLP também levou o autor a pensar em uma possibilidade ainda mais interessante: utilizar biogás produzido a partir de matéria orgânica. A ideia é utilizar um biodigestor para decompor resíduos orgânicos e produzir metano, que posteriormente poderia ser aproveitado como combustível. Como o motor já conseguiu funcionar com GLP através do carburador adaptado, surge a possibilidade de testar futuramente o funcionamento com o gás produzido pelo próprio biodigestor. Além do combustível, o processo de biodigestão pode gerar materiais aproveitáveis na agricultura, transformando resíduos em uma fonte energética e em subprodutos úteis.

UMA ADAPTAÇÃO QUE AMPLIA AS POSSIBILIDADES: O experimento mostra uma alternativa relativamente simples para acrescentar o GLP como combustível a um gerador originalmente projetado para gasolina. O carburador híbrido permite manter as duas possibilidades, oferecendo maior flexibilidade ao usuário. Para quem depende de um gerador em situações de emergência, a possibilidade de utilizar um botijão de GLP pode representar uma alternativa interessante de armazenamento e abastecimento. Os números obtidos no experimento também são expressivos: aproximadamente 500 gramas de GLP por hora e uma autonomia teórica de 26 horas com um botijão de 13 kg, nas condições do teste. A economia, entretanto, deve ser analisada de acordo com os preços locais e com a carga efetivamente aplicada ao gerador. Quanto maior a demanda elétrica, maior poderá ser o consumo de combustível.

UMA SOLUÇÃO PARA QUANDO A LUZ ACABAR: Mais do que transformar o gerador em uma fonte permanente de eletricidade, a experiência aponta para uma solução de contingência. Em uma residência, sítio, oficina ou até em aplicações relacionadas ao caravanismo, ter um gerador preparado para utilizar GLP pode representar uma reserva energética adicional. O projeto ainda prevê novas etapas, incluindo a transferência automática ou manual da alimentação para a residência e a possibilidade futura de experimentar o biogás. Por enquanto, o resultado mais importante já foi obtido: o gerador que originalmente utilizava gasolina passou a funcionar também com gás de cozinha, abrindo uma nova possibilidade para quem precisa manter energia disponível quando a rede elétrica não está.

CONFIRA ABAIXO DOIS VÍDEOS DO AUTOR:

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