Toyota recria famoso teste do Top Gear para mostrar resistência da primeira Hilux 100% elétrica. A divisão britânica montadora resolveu colocar à prova a fama de resistência da Hilux de uma maneira pouco convencional: um trailer de mais de 760 kg foi içado a aproximadamente 9 metros de altura e lançado diretamente sobre a cabine da nova Hilux BEV, a primeira versão totalmente elétrica da picape. Depois do impacto, a caminhonete foi inspecionada pelos engenheiros, ligada e conduzida para fora do local por seus próprios meios. É verdade que o trailer, devido à sua estrutura amortecedora, acabou impactando pouco a caminhonete mesmo com seus mais de 700kg, já que sequer o teto da cabine foi afundado. Porém, o apelo do video acaba fazendo efeito.
UM TESTE QUE JÁ FAZ PARTE DA HISTÓRIA: A experiência aconteceu no aeródromo de Bentwaters, em Suffolk, no Reino Unido, e reproduziu uma das provas mais conhecidas realizadas pelo programa britânico Top Gear em 2003. Naquela ocasião, uma Hilux foi submetida a uma série de situações extremas, incluindo a queda de um trailer sobre o veículo. Mais de duas décadas depois, a Toyota decidiu repetir justamente essa parte do experimento, desta vez utilizando a nova Hilux elétrica. Antes da realização do teste, a própria Toyota colocou a decisão nas mãos dos usuários do Reddit, que puderam escolher entre uma bola de demolição de uma tonelada ou a queda de um trailer. A opção do trailer foi escolhida pelos participantes.
9 METROS DE ALTURA: Para o novo teste, um trailer de aproximadamente 760 kg foi suspenso por um guindaste a cerca de 30 pés, ou aproximadamente 9,1 metros, acima da Hilux. O veículo permaneceu parado enquanto o reboque foi liberado, atingindo diretamente a parte superior da cabine. O impacto destruiu grande parte do trailer que tem de costume uma estrutura frágil e provocou danos até que leves na região superior da picape, incluindo o teto e o para-brisa. Após a queda, entretanto, os engenheiros verificaram o veículo e, segundo a Toyota, a Hilux apresentou danos considerados modestos na carroceria diante da violência do impacto. O sistema elétrico foi acionado normalmente e a picape deixou o local rodando, sem precisar ser rebocada.
A BATERIA TAMBÉM ESTAVA NO TESTE: Para quem acompanha a evolução dos veículos elétricos, a parte mais relevante da demonstração talvez esteja justamente sob a carroceria. A Hilux BEV utiliza uma bateria de íons de lítio de 59,2 kWh instalada dentro da estrutura do veículo. A Toyota afirma ter desenvolvido uma estrutura específica para proteger o conjunto de baterias contra os esforços de torção do chassi durante o uso fora de estrada. A bateria também conta com proteção contra impactos e entrada de água, enquanto o veículo mantém capacidade de atravessar trechos alagados de até 700 mm de profundidade. Durante o desenvolvimento, a Hilux elétrica passou ainda por testes em terrenos severos, situações de alagamento e imersão do conjunto de baterias.
UMA HILUX DIFERENTE, MAS AINDA SOBRE CHASSI: A nova geração mantém uma característica fundamental para quem utiliza picapes em atividades de trabalho, aventura e viagens: a construção de carroceria montada sobre chassi. Na versão elétrica, dois eixos elétricos proporcionam tração integral permanente. O sistema entrega 205 Nm no eixo dianteiro e 268 Nm no traseiro. A capacidade de carga útil anunciada é de até 715 kg, enquanto a capacidade de reboque chega a 1.600 kg. A autonomia homologada chega a aproximadamente 257 km no ciclo WLTP combinado, dependendo da configuração e do mercado.
REBOCAR CONTINUA FAZENDO PARTE DA PROPOSTA: Apesar de o trailer utilizado no teste ter servido como objeto de impacto, e não como carga rebocada, a capacidade de tração é uma característica importante da nova Hilux elétrica. A capacidade máxima de reboque de 1.600 kg é inferior aos 3.500 kg anunciados para determinadas versões da Hilux com motorização diesel, mas coloca a versão elétrica dentro de uma faixa que pode atender diferentes usos recreativos e profissionais. Para o público de caravanismo, essa diferença será especialmente importante: além da autonomia naturalmente afetada pelo peso e pela aerodinâmica do trailer, o limite de reboque da versão elétrica deverá ser observado na escolha do conjunto.
ELÉTRICA COM PROPOSTA DE TRABALHO: A Toyota não posiciona a Hilux BEV apenas como uma alternativa urbana. A marca mantém a proposta de utilização profissional e fora de estrada, com tração integral permanente e sistema Multi-Terrain Select desenvolvido para a versão elétrica. O sistema utiliza gerenciamento de torque e frenagem para adaptar o comportamento da picape a diferentes terrenos. A Hilux elétrica mantém ainda vão livre de 212 mm e a capacidade de transposição de água de até 700 mm.
O FUTURO DA HILUX TERÁ MAIS DE UMA ENERGIA: A nova geração da Hilux faz parte da estratégia de múltiplas tecnologias de propulsão da Toyota. Além da versão totalmente elétrica, a linha também oferece motorização diesel com sistema híbrido leve de 48 volts, enquanto outros mercados contam com opções convencionais. A Toyota também já confirmou o desenvolvimento de uma Hilux movida a célula de combustível de hidrogênio, prevista para 2028. No caso da BEV, a fabricante destaca especialmente aplicações em que o veículo retorna regularmente ao mesmo ponto para recarga, como operações industriais, infraestrutura, aeroportos e outros ambientes de trabalho. A proposta também contempla compradores particulares interessados em lazer.
DO TRAILER DO TOP GEAR AO TRAILER SOBRE A HILUX: O curioso é que o trailer, que durante décadas ajudou a construir a fama de resistência da Hilux no programa britânico, voltou agora para testar justamente a transformação mais radical da picape. Desta vez, não havia motor diesel para continuar funcionando depois da pancada. Havia uma bateria de alta tensão, dois motores elétricos e uma arquitetura específica para proteger o conjunto elétrico. A Toyota escolheu uma maneira bastante literal de responder à pergunta sobre se a Hilux continuaria sendo uma Hilux depois de abandonar o motor a combustão: colocou um trailer de 760 kg sobre ela. E, depois da queda, a picape simplesmente ligou e saiu rodando.












